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FACULDADE SÃO BERNARDO - Vestibular 2010
 
   
 
 

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A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA PARA UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Gabriele Oliveira de Sousa
Luana de Castro Reis Silva
Nágela Oliveira
Thais Hossu Albuquerque
RESUMO
O avanço da tecnologia, a multimídia, a hipertextualidade, os diversos meios de comunicação são alguns dos itens presentes na sociedade da informação, sociedade em que vivemos. A escola, de forma geral, não tem acompanhado essa realidade, mantendo-se presa a uma Pedagogia obsoleta e, similarmente, os professores não se atualizam e não trazem esses atributos para a sala de aula. Com a visita ao espaço Catavento Cultural ficou evidente que a utilização da tecnologia pode contribuir enormemente na educação escolar, pois aproxima o conteúdo da realidade dos alunos, ao permitir que participem, experimentem, explorem. A promoção de atividades como essa, com estímulos sensoriais e linguagem multimídica, permite que a aprendizagem seja muito mais prazerosa e significativa, pois instiga a curiosidade, interessa e motiva os estudantes da Educação Infantil e Ensino Fundamental.

PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia, Aprendizagem Significativa, Processamento Multimídico da Informação

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo objetiva explicitar a importância da utilização da tecnologia no processo de aprendizagem no ensino escolar, considerando o contexto da sociedade atual, que convive com a tecnologia de uma forma diferente de alguns anos atrás. Esse estudo se dá por meio dos relatos da experiência das integrantes do grupo no espaço Catavento Cultural, mais especificamente em algumas atrações da seção “Universo”, relacionando essas atrações com o processo de aprendizagem, de acordo com as ideias de José Manuel Moran a respeito do processamento da informação e do uso da tecnologia no ensino escolar.

2 ESPAÇO CATAVENTO CULTURAL E A TECNOLOGIA

2.1 A SOCIEDADE ATUAL E A TECNOLOGIA

A sociedade atual é a sociedade de informação – convive diariamente com diversos meios de comunicação, com os avanços tecnológicos que tornam obsoleto um aparato tecnológico com poucos meses de criação. O computador que hoje é o mais avançado, em poucos meses estará completamente desatualizado, necessitando ser trocado. Outro exemplo é o celular, que em uma semana é considerado “de última geração” e na semana seguinte se torna mais um dentre tantos outros modelos.
Notamos que a escola não tem acompanhado o processo de evolução tecnológico dessa sociedade, utilizando a mesma Pedagogia de anos atrás. A sociedade mudou, mas a escola continua a mesma. Ainda hoje vemos muitos educadores utilizando uma abordagem tradicional – acreditam na transmissão do conhecimento, na “decoreba”, no aluno como “depósito” de informações e não promovem a reflexão, não propiciam espaços para a participação do aluno. Há escolas que já superaram essa abordagem, mas de forma geral, ainda vemos que a prática tradicional está presente em boa parte delas.
Então, quando o aluno chega à escola, encontra outro mundo, completamente diferente daquele a que está acostumado. Em casa, nas brincadeiras, com a família, com os amigos, essa criança lida com os mais diversos tipos de linguagens. Um exemplo é a Internet, em que esse sujeito pode buscar conteúdos dos assuntos mais variados; a Internet é uma porta aberta para outras culturas, outros conhecimentos (se utilizada de forma correta e responsável). Podemos citar também a televisão, cada vez mais interativa – os programas de tevê permitem a participação dos telespectadores por diversos meios, tornando-os parte do que está ocorrendo, possibilitando que opinem sobre notícias, por exemplo – além dos estímulos visuais que ela nos proporciona, com as propagandas e programas atraentes, cheios de cores e animações. Enfim, há uma ampla gama de linguagens tecnológicas à disposição desse aluno em sua vida cotidiana.
Já na escola, o aluno deve sentar-se e ouvir atenta e passivamente tudo o que o professor tem a falar. Generalizando, são poucas vezes em que o professor busca ouvir seu aluno, as experiências pelas quais ele passou, com o objetivo de relacionar a vida real ao conteúdo escolar, dando a esse aluno a oportunidade de relacionar o seu conhecimento prévio ao que aprende de novo e também de aprender com a vivência e conhecimento de seus colegas de classe. Sabemos da importância de compartilhar e trocar conhecimento – entretanto, com um ensino retrógrado, tradicional, a criança perde diversas oportunidades de aprender e ser.
Para que a aprendizagem na escola seja significativa e interessante ao aluno, é preciso considerar as mudanças tecnológicas pelas quais a atual sociedade vem passando e inseri-las no ensino, de forma a fazer os alunos se sentirem familiarizados com o conhecimento que estão construindo, motivando-os a buscar por mais.
É importante também salientar a importância de o professor saber lidar com essas tecnologias, procurando se atualizar constantemente. Assim como um médico que sempre aprende novas técnicas, o professor deve ter consciência de que precisa aprender constantemente. O mundo vem passando por todas essas mudanças, que não devem ser ignoradas – o professor deve adaptar-se à realidade em que vive, aproximando assim suas aulas ao interesse e necessidade dos alunos.
Além disso, o simples uso da tecnologia não basta, pois muitas vezes o educador pode se utilizar dela, mas manter o tradicionalismo em seu discurso, em suas atitudes, o que simplesmente faria com que a tecnologia se tornasse mais um item presente numa aula pouco significativa para o aluno.

2.2 EXPERIÊNCIAS NO ESPAÇO CATAVENTO CULTURAL E O PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO

Visitamos o espaço Catavento Cultural e observamos principalmente a seção “Universo”. A nosso ver, a seção de Astronomia, comumente trabalhada na 5ª (quinta) série (6º ano) do Ensino Fundamental como “Sistema Solar” na disciplina de Ciências, se mostrou uma das mais fascinantes. É impressionante o fato de colocar as grandezas do Universo e sua infinidade num espaço relativamente pequeno e de forma tão rica como lá foi feito. Tal característica instiga a curiosidade, o que é muito importante no processo de aprendizagem, já que “Alunos curiosos e motivados facilitam enormemente o processo...” (MORAN, 2001, p. 17). Percebemos que esse estímulo à curiosidade é o que falta na sala de aula, muitas vezes. É muito mais comum o professor iniciar sua aula já explicando conceitos e sua utilização aos alunos, em vez de perguntar o que eles sabem sobre tal assunto, fornecer informações breves e intrigantes para, então, tornar o conteúdo atraente.
Todas as atrações da seção “Universo” possuem um grande apelo visual, das quais podemos destacar o Sol: uma grande esfera brilhante, com um corte que nos permite enxergar seu interior. Também pudemos observar uma constelação, observação esta que se aproximava muito do real – bastava olharmos para cima para enxergar o céu estrelado. Além disso, visualizamos algumas estrelas por meio de lentes nas paredes; ao colocarmos os olhos ali, era como se estivéssemos vendo-as no próprio firmamento por um telescópio.

Figura 1 – Sol (Seção Universo – Catavento Cultural)

É notável que a observação desempenhe um papel importante na aprendizagem, afinal, é muito mais fácil entender algo que está sendo visto, experimentado. Isso se aplica no ensino de várias disciplinas e seus conteúdos, principalmente no ensino de Ciências. Na seção Universo o aluno observa os astros de diversas maneiras, inclusive com imagens em terceira dimensão, maquetes ou objetos reais. Acreditamos que tal observação também facilita o processo de abstração pelo aluno.
Os estímulos visuais eram somados aos sonoros: podíamos ouvir a simulação dos sons de estrelas, de explosões no espaço etc, simplesmente ao apertar um botão. Com tudo isso, era como se realmente estivéssemos fazendo uma viagem ao espaço. Nesse caso, temos um exemplo de algo que não é essencial para a compreensão do conteúdo (no exemplo, estrelas), mas é algo a mais, que surpreende e motiva os alunos, pois eles “brincam” com seu objeto de estudo.
Ainda com relação à parte sensorial, tivemos a oportunidade de tocar em um meteorito que caiu na Terra há milhares de anos. É entusiasmante a experiência de tocar em algo que viajou o espaço até chegar a nós. E é interessante destacar que éramos explicitamente estimulados a isso: “Toque nesse meteorito”, eram as palavras escritas em uma placa próxima a ele. As crianças, ao se depararem com essa atração, ficavam entusiasmadas para tocá-lo e impressionadas ao saber que o meteorito veio do espaço.

Figura 2 – Meteorito (Seção Universo – Catavento Cultural)

Essas experiências, nas palavras de Moran, são valiosas, pois “Tornamo-nos cada vez mais dependentes do sensorial (...). Muitos se deixam seduzir pelo atrativo de poder tocar, sentir, ver, ouvir” (2001, p. 22). E ainda “Aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos” (MORAN, 2001, p. 23).
Tendo isso em vista, podemos observar que o uso da experiência sensorial na aprendizagem é, sem dúvida, vantajosa – os alunos precisam desse estímulo aos sentidos, buscam por isso. O fato de poder tocar, sentir, perceber algo materialmente aproxima os alunos do objeto de estudo, facilita a percepção de que aquilo faz parte da sua vida e não é algo alheio ao seu mundo.
Outra atração, que julgamos interessante, foram as estrelas na bandeira nacional, que é uma atração interativa. Primeiramente, um monitor apresentava a bandeira às crianças, que apertavam botões com os nomes dos Estados brasileiros para descobrir suas respectivas estrelas, que eram então acesas com o acionamento do botão. Numa aula tradicional sobre a bandeira nacional, o professor apresentaria a bandeira aos alunos, explicando seu significado – as cores, as estrelas e sua quantidade, a frase “Ordem e progresso”; os alunos observariam e o conteúdo teria sido passado. No Catavento Cultural, o monitor instigava as crianças, perguntando se elas sabiam o porquê das estrelas estarem dispostas daquela forma, por exemplo. Depois, em vez de simplesmente dizer que cada estrela corresponde a um Estado brasileiro, e apresentá-los, o monitor incentivou as crianças a descobrirem essa informação por elas mesmas. Apertando o botão do Estado de São Paulo, sua estrela brilhava na bandeira lá disposta.
As atrações relacionadas acima correspondem ao processamento multimídico da informação que, conforme Moran (2001, p. 19), vem sendo cada vez mais utilizado por nós. Tal processamento consiste na junção de “... pedaços de textos de várias linguagens superpostas simultaneamente...” (MORAN, 2001, p. 19) – esse tipo de processamento da informação é muito comum na sociedade atual, que convive com os avanços da tecnologia, e é o que experimentamos na seção “Universo”, por meio da interatividade e estímulos sensoriais. Num mesmo espaço lidamos com informações escritas (textos), informações sonoras, informações visuais, computadores, objetos para serem analisados. Foram várias formas de lidar com o mesmo assunto, o que permite que praticamente todos possam compreender e aprender sobre tal assunto.
Também pudemos observar certa coesão em toda a seção “Universo”. A sala era ampla e se dividia em várias áreas; não obstante, ao andar um pouco ou mesmo ao virar-se de costas, o visitante já se depara com novas informações – todas, claro, relacionadas ao mesmo tema: Universo, Astronomia, Espaço. Entendemos que tal atributo corresponde à comunicação “linkada”, como descrita por Moran (2001, p. 19): “... sem seguir uma única trilha previsível, seqüencial, mas que vai se ramificando em diversas trilhas possíveis”. É recomendável que os educadores se utilizem dessa ideia no processo de aprendizagem, pois “O conhecimento não é fragmentado, mas interdependente, interligado, intersensorial” (MORAN, 2001, p. 18); daí a importância de manter as atrações conectadas entre si pelo tema a que pertencem e até mesmo fisicamente: todas dispostas num mesmo espaço, se relacionando.
Moran aponta que “... o mais importante é a visão ou leitura em flash, no conjunto, uma leitura rápida, que cria significações provisórias, dando uma interpretação rápida para o todo, e que vai se completando com as próximas telas, através do fio condutor da narrativa subjetiva dos interesses de cada um, das suas formas de perceber, sentir e relacionar-se” (2001, p. 19). As atrações na seção “Universo”, em nenhum momento, pretendiam esgotar o assunto, mas sim dar pequenas informações curiosas, instigar, provocar a vontade dos visitantes de buscar por mais. Por isso a utilização de fotografias coloridas e brilhantes juntamente com textos curtos e de fácil leitura, adicionados a algumas atividades diferenciadas como as já mencionadas (observação, interação).
A visita ao Catavento Cultural é especialmente interessante para alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, justamente por sua característica multimídica: Moran (2001, p. 20) explica que essa geração está acostumada à rapidez, a ser atraída pela informação, e a forma de processamento da informação que corresponde a essas características é a multimídica. “... as crianças e os jovens não apreciam a demora, querem resultados imediatos” (MORAN, 2001, p. 20). Por isso a aula tradicional é tão maçante para crianças e adolescentes; elas estão acostumadas a interagirem, a fazerem várias coisas ao mesmo tempo. Exigir que fiquem sentadas ouvindo pacientemente o professor não combina com o que vivem fora da escola.
Toda essa rapidez a que estão acostumados crianças e adolescentes pode e deve ser aproveitada pela educação, porque “A construção do conhecimento, a partir do processamento multimídico, é mais ‘livre’, menos rígida, com conexões mais abertas, que passam pelo sensorial, pelo emocional e pela organização do racional...” (MORAN, 2001, p. 19). Por isso, é interessante que a escola ofereça a seus alunos a possibilidade de visitar espaços como esse, interativos, que façam os alunos se interessarem pelo conteúdo a ser trabalhado em sala de aula.
Contudo, essas visitas não serão suficientes no processo de aprendizagem. De acordo com Moran, o processo de aprendizagem será mais bem-sucedido se o professor proporcionar a seus alunos diversas formas de processamento de informação, sendo a primeira a multimídica: “... teremos maior repercussão se começarmos pela multimídica, passarmos para a hipertextual e, em estágios mais avançados, concentrarmo-nos na lógico-seqüencial” (MORAN, 2001, p. 21). O processamento multimídico seria uma espécie de introdução ao assunto, um aquecimento, uma preparação divertida para os alunos: “O jogo, o ambiente agradável, o estímulo positivo podem facilitar a aprendizagem” (MORAN, 2001, p. 24). Após essa prévia, o educador poderia sugerir aos alunos, por exemplo, uma breve pesquisa sobre o assunto, em fontes diversas, trabalhando o processamento hipertextual, e pedir que socializassem o que encontraram de interessante. Finalmente, para que haja o processamento lógico-sequencial, mais aprofundado, o professor poderia trabalhar com o livro didático: “... o livro se torna uma opção inicial menos atraente; está competindo com outras mais próximas da sensibilidade deles [crianças e jovens], das suas formas mais imediatas de compreensão” (MORAN, 2001, p. 21).

3 CONCLUSÃO

Nas palavras de Moran (2001, p. 23), “Aprendemos mais quando estabelecemos pontes entre a reflexão e a ação (...), entre a teoria e a prática...”. Dessa forma, além de bem-sucedida, a aprendizagem será mais prazerosa e significativa.
Com a nossa visita ao espaço Catavento Cultural pudemos entender na prática essas ideias de Moran.
Nós, integrantes do grupo, que já passamos pelo Ensino Fundamental, pudemos relacionar o que aprendemos nessas séries escolares com o que foi experimentado na seção “Universo”. Considerando isso, pudemos compreender o quanto as crianças, estudantes do Ensino Fundamental, se surpreendem e se encantam ao visitar tal espaço.
Isso é fundamental para um ensino mais significativo. As crianças conhecem na prática aquilo que com a teoria, por vezes, fica muito fragmentado, e assim relacionam este conhecimento com suas próprias experiências, desfragmentando-o.
A escola será então um espaço de compartilhamento de experiências e de busca pelo novo. Tudo o que é vivenciado em visitas como essa, repletas de recursos tecnológicos com os quais os alunos estão familiarizados, pode ser discutido, dividido na sala de aula; o professor deve abrir esse espaço para que os alunos conversem sobre o conteúdo. Assim, os alunos serão íntimos do conhecimento e estarão motivados para buscar por mais. É nesse momento que o professor desempenhará o papel de ensinar propriamente o conteúdo, e parecerá que o educador estará simplesmente saciando a curiosidade das crianças, quando na verdade, além de atender a essa necessidade, estará ensinando o conteúdo exigido pela programação e evidenciando para seus alunos sua importância na vida extraescolar.

REFERÊNCIA

MORAN, J. M. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: BEHRENS, M. A., MASETTO, M. T., MORAN, J. M. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 7. ed. Campinas: Papirus, 2003. p. 11-63.

 

 

 
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